DELIM GÁS

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24 de agosto de 2015

Estado Islâmico explode famoso templo na cidade síria de Palmira

Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) explodiram o templo de Baalshamin na antiga cidade de Palmira, no leste da Síria, afirmou neste domingo (23/8) à AFP o diretor de Antiguidades e Museus da Síria.

"O Daesh (acrônimo em árabe do EI) colocou hoje uma grande quantidade de explosivos no templo de Baalshamin para depois detoná-los. O edifício ficou em grande parte destruído", indicou Maamun Abdulkarim.

A parte fechada do templo "foi destruída e as colunas em torno desmoronaram", disse Maamun Abdulkarim. O templo de Baalshamin começou a ser construído no ano 17 e posteriormente foi ampliado pelo imperador romano Adriano em 130. Baalshamin é o deus do céu fenício. "Nossas mais sombrias previsões infelizmente estão se realizando", lamentou Abdulkarim.

Os jihadistas "realizaram execuções no teatro antigo, destruíram em julho a famosa estátua do Leão de Athena - que ficava na entrada do museu de Palmira - e transformaram o museu em tribunal e prisão".  O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) confirmou a destruição do monumento histórico.

Na terça-feira (18/8), o EI assassinou o ex-diretor de Antiguidades de Palmira Khaled al-Assad, cujo corpo foi pendurado em um poste. Palmira, um oásis no meio do deserto, abriga as monumentais ruínas de uma grande cidade que foi um dos maiores centros culturais do mundo antigo. A cidade é considerada patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

Patrimônio Histórico da Humanidade

Conhecida como "Pérola do Deserto", a cidade antiga de Palmira é qualificada pela Unesco como patrimônio mundial da Humanidade pela riqueza de seus templos e a arquitetura romana.


Situada 210 km a nordeste de Damasco, a cidade foi conquistada no final de maio pelos jihadistas do EI, que consideram idolatria as estátuas humanas e de animais, e já destruíram vários tesouros arqueológicos. Palmira abriga as ruínas monumentais de uma grande cidade que foi um dos mais importantes focos culturais do mundo antigo.

Seu nome aparece pela primeira vez em uma tabuleta do século XIX a.C. e a cidade foi um ponto de passagem de caravanas entre o Golfo e o Mediterrâneo, uma etapa da rota da seda. Após a conquista romana, a partir do século I a.C., e durante quatro séculos, Palmira viveu um período formidável de ascensão. Graças ao comércio de especiarias, perfumes, sedas, marfim e vidro, Palmira passou a ser um local de luxo e exuberância em pleno deserto.

No ano 129, o imperador romano Adriano decretou a cidade livre de Adriana Palmira, quando foi construído o templo de Bel e ampliado o templo de Baalshamin. A cidade venerava a trindade composta pelos deuses Bel (equivalente a Zeus), Yarhibol (Sol) e Aglibol (Lua) até a chegada do cristianismo, no século II.

No século III, aproveitando as dificuldades que enfrentava o Império Romano, Palmira se transformou em reino e desafiou os persas, sob a liderança de Zenóbia. Em 270, a rainha Zenóbia conquistou toda a Síria, parte do Egito e chegou à Ásia menor, mas o imperador romano Aureliano retomou a cidade e Zenóbia foi levada para Roma, marcando o declínio da cidade.

Antes do início do conflito na Síria, em 2011, mais de 150 mil turistas visitavam Palmira, conhecida como a cidade das mil colunas, por suas estátuas e a formidável necrópole de 500 tumbas, onde os ricos construíram impressionantes monumentos funerários.

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