DELIM GÁS

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30 de setembro de 2015

Petrobras reajusta preço da gasolina em 6% e 4% para o óleo diesel

EBC
A Petrobras anunciou no final da noite desta terça-feira, 29 de setembro, o reajuste nos preços de gasolina e diesel, válidos já a partir da meia noite desta quarta-feira. O preço da gasolina nas refinarias subirá 6% e o do diesel 4%, segundo comunicado divulgado pela empresa. Este é o primeiro reajuste de preços nos combustíveis na gestão de Aldemir Bendine, que assumiu a petroleira em fevereiro com a missão de recuperar as finanças e a credibilidade da empresa junto aos investidores, após a crise vivida nos últimos anos.

Ainda não há estimativas oficiais sobre o impacto do reajuste para os consumidores. No último reajuste de preços de combustíveis, anunciado em novembro ainda pela ex-presidente Graça Foster, gerou impacto entre 2% e 2,5%, na época. O comunicado da companhia informou, também, que os preços sobre os quais incidem o reajuste "não incluem tributos federais, como Cide e Pis-Cofins.
A decisão foi tomada pela diretoria da empresa na noite desta terça-feira, após reunião em que a pauta principal foi a frágil situação financeira da estatal, agravada pela depreciação cambial das últimas semanas. Também foram analisadas propostas para novo corte de investimentos da estatal, após a companhia ter anunciado em junho uma redução de 37% em seus investimentos no período entre 2015 e 2019. Um novo corte, entretanto, não foi definido.
Após discutir o tema com os diretores da companhia, o presidente Aldemir Bendine se reuniu também com o novo presidente do conselho de administração da empresa, Nelson Carvalho. Nesta quarta-feira ocorrerá a primeira reunião do colegiado sob o comando de Carvalho, que assumiu o cargo após o afastamento de Murilo Ferreira, no início do mês, por divergências com a cúpula da estatal sobre o tamanho do ajuste necessário para reabilitar a Petrobras.
Surpresa
O reajuste, anunciado de surpresa um dia antes do encontro, é também uma tentativa de sinalizar ao mercado que a companhia possui, de fato, autonomia para definir sua política de preços de combustíveis. Analistas e consultores do setor não esperavam um reajuste neste ano, apesar da fragilidade da companhia. A avaliação é que o cenário político instável, a baixa popularidade do governo e a crise econômica do País retardariam a decisão.

Entretanto, prevaleceu o diagnóstico sobre a gravidade da situação financeira da companhia, que está com restrição de caixa para investimentos prioritários. No último dia 10 de setembro, a estatal perdeu o grau de investimento da agencia Standards&Poors, afetando seu acesso ao crédito no mercado internacional. Desde então, com o agravamento da crise política, a alta do dólar acima dos R$ 4 agravou ainda mais a situação da petroleira, uma vez que 80% de sua dívida é cobrada em moeda estrangeira. As projeções indicam que a dívida total da companhia pode ultrapassar os R$ 500 bilhões no terceiro trimestre.
Conter reajuste
O endividamento explodiu desde 2010, quando o governo passou a conter reajuste de preços como forma de evitar uma alta da inflação no País. Por isso, a estatal precisou revender no País o combustível a preços mais caros que o custo de importação do petróleo, em um momento em que as cotações do óleo estavam acima de US$ 110.

A ingerência política teria causado, apenas no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, uma perda para a companhia de cerca de R$ 80 bilhões segundo estimativas da própria estatal. 

Preços mais caros
Ao longo deste ano, entretanto, com a queda à metade da cotação internacional do petróleo, os combustíveis no País passaram a ser vendidos com preços mais caros que em outros países. A variação positiva para a companhia chegou, em alguns momentos, a mais de 40%, segundo estimativas de analistas do setor. Entretanto, com a depreciação econômica, a situação voltou a piorar e a estatal precisou fazer caixa para manter investimentos prioritários, como a exploração do pré-sal.

Agência CNM, com informações do Estado de São Paulo

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