DELIM GÁS

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16 de outubro de 2015

Falta de planos municipais de mobilidade leva a corte de recursos, diz secretário

No Brasil, 3.325 municípios tem de elaborar o plano de mobilidade urbana. Hoje, em torno de 500 municípios já aprovaram seus planos, segundo o secretário Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana, Dario Rais Soares.

Recursos do Orçamento destinados a obras de mobilidade urbana estão cortados em 85% dos municípios do País, informou o secretário Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana, Dario Rais Soares, durante o 3º Seminário Internacional Mobilidade e Transportes, promovido pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados

O crédito é usado para desenvolver o transporte coletivo e a mobilidade nas cidades, com foco nas pessoas de baixa renda, mas o acesso ao financiamento depende da conclusão de plano de mobilidade pelos municípios, que deveria ter sido entregue até abril deste ano.

"No Brasil, 3.325 municípios tem de elaborar o plano. Hoje, em torno de 500 municípios estão com a lição de casa feita. Principalmente os menores, certamente por falta de recursos, não estão conseguindo elaborar o plano e, para nós, isso é muito preocupante”, afirmou.

José Augusto Fortes, que coordena o grupo de pesquisa Ópera Urbana, disse ver no transporte individual um impasse para a boa convivência. "A população está vivendo uma dificuldade muito grande. Mesmo em Brasília, onde você tem vias bastante largas, há dificuldades de deslocamento, você leva uma hora e meia, duas horas para andar 25 Km."

Ônibus
O representante da Mercedes Benz no debate, Gustavo Nogueira, sintetizou benefícios do BRT, ou Transporte Rápido por Ônibus, comparado a outros modais. "É interessante do ponto de vista de rapidez e custo baixo.”


Ele observou alguns pontos críticos nos sistemas de BRT já implantados no País: o planejamento de docagem, que permite a aproximação entre o veículo e a plataforma, e as medidas de segurança, como balizadores e prismas, para evitar acidentes no embarque. "Algumas vias são de concreto, material insuficiente para suportar as 37 toneladas de um veículo a 60 km por hora.”
Entre as soluções para a mobilidade, Nogueira citou a integração do ônibus com outros modais; estacionamentos privativos para bicicletas, automóveis e motocicletas; terminais que abriguem "estações da cidadania", com serviços de emissão de carteira de identidade e passaportes.
Trilhos
Para o presidente da ANP Trilhos, Joubert Flores, não há competição entre rodas e trilhos, como metrôs, trens metropolitanos e VLTs (veículos leves sobre trilhos). A demanda por esse transporte cresceu 10% nos últimos anos, frente ao aumento de 3% na oferta.
"Transportamos 9 milhões de passageiros por dia, que é mesma coisa que só Beijing e Xangai [maiores cidades chinesas] transportam no sistema delas.” Ele citou externalidades positivas do modal, como a diminuição do número de acidentes no trânsito e o a baixa poluição do ar.
A redução de espaço ocupado pelo transporte é um fator chave para a mobilidade, na opinião de Francesc Xavier Ventura Teixidor, presidente da Agrupación Barcelona Movilidad. Apesar de estimar que a bicicleta ocupe ¼ do espaço de um carro, para ele esse transporte não é universal e pode segregar os idosos, por exemplo.
Publicação
Durante o seminário, foi lançada a publicação "O Desafio da Mobilidade Urbana", elaborado pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara (Cedes), em parceria com a Consultoria Legislativa da Casa.
A publicação traz desafios ao cenário atual da mobilidade urbana, com foco nos reflexos da imobilidade, no financiamento do setor e na questão do federalismo cooperativo.
A consultora Suely Mara Vaz Guimarães de Araújo, uma das que coordenou o estudo, chamou atenção para a variedade de dados sobre as experiências de mobilidade no âmbito doméstico e internacional. O trabalho teve como relator o deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC).

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