DELIM GÁS

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23 de novembro de 2015

Pressão de Macri sobre Venezuela é útil a Dilma

Expectativa do Planalto é de boa relação com o presidente eleito da Argentina

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Na avaliação do governo Dilma, o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, é um moderado que precisará do Brasil para tirar o seu país da crise. Macri não tem maioria no Congresso e enfrenta graves problemas na economia.

Ou seja, vive situação bem parecida com a da presidente Dilma Rousseff. Por isso, a expectativa de Brasília é que, por pragmatismo, haverá um desejo de ajuda mútua.

Brasil e Argentina são os principais países do Mercosul. São grandes parceiros comerciais. Dilma tem simpatia pela presidente Cristina Kirchner e fez concessões importantes do ponto de vista econômico à Argentina. Tudo indica que haverá a mesma compreensão de Dilma em relação a Macri.

O mais provável é uma convivência harmoniosa, até porque os dois, Macri e Dilma, terão problemas maiores nas suas respectivas agendas domésticas. Como Dilma não é candidata à reeleição, essa mudança de vento na Argentina poderia se repetir no Brasil em 2018, mas a principal preocupação da presidente é chegar até lá, não com quem a sucederá.

Ponto de tensão

Certamente haverá tensão entre Brasil e Argentina por causa da Venezuela. Na campanha argentina, Macri afirmou que questionaria a presença venezuelana no Mercosul, sob a alegação de desrespeito à cláusula democrática.

A Venezuela se transformou numa grande dor de cabeça para o Brasil. Mas uma pressão de Macri sobre o governo de Nicolás Maduro pode ser útil a Dilma.

O governo brasileiro tem feito gestões nos bastidores para pressionar Maduro a mudar a sua relação com a oposição da Venezuela. Não é uma oposição fácil. Tem tradição golpista. Mas Maduro, na visão de Brasília, passou dos limites e virou um problema.

O Brasil advoga pela permanência da Venezuela do Mercosul porque o governo Maduro passará. A Venezuela é grande produtora de petróleo e é um mercado importante para exportação de bens e serviços do Brasil. Nesse contexto, uma pressão da Argentina sobre a Venezuela pode ser bem vista pelo Brasil nos bastidores.

DO BLOG: A Venezuela, cá para nós, não exemplo de democracia para país nenhum no mundo.

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