DELIM GÁS

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26 de dezembro de 2015

Rosalba espera convocação do povo para eleições de 2016 em Mossoró

A ex-governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (PP) disse que aguarda a convocação popular para dizer se vai ou não ser candidata à  prefeitura de Mossoró em 2016. Afastada do cenário político desde que saiu do governo, em dezembro de 2014, ela disse que sentiu a maior dor que um cidadão por ter ao ser considerada inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral do estado (TRE-RN). 

Depois que foi inocentada da acusação de crime eleitoral, no dia 29 de outubro, por unanimidade do pleno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosalba Ciarlini passou a circular em eventos públicos como as comemorações dos 180 anos da Assembleia Legislativa do RN, sexta-feira (18), quando falou com o NOVO. 

A ex-governadora era acusada pelo TRE-RN de utilizar a máquina pública em 2012, em favor da então candidata à prefeitura de Mossoró, Cláudia Regina. Elegível novamente, Rosalba Ciarlini depois de ter seus direitos políticos cassados pela Corte potiguar em 2014, volta a falar em política novamente.

A ausência de quase um ano dos assuntos políticos  não foi proposital, disse Rosalba. “Na realidade, não é que eu tenha evitado. Não estou com mandato. Tenho cuidado mais da família, dos netos. Tenho uma filha que mora fora (na Alemanha), e passei um período lá com ela, e voltei a trabalhar como médica, dando meus plantões”, comentou.

Longe dos gabinetes, a ex-governadora voltou a vestir o jaleco branco para os plantões no Hospital Rafael Fernandes, em Mossoró, especializado em doenças infecto-contagiosas sendo referência no tratamento da aids, hanseníase e tuberculose e atende a região do Oeste potiguar.

“Voltei desde janeiro no Hospital Rafael Fernandes. Eu dei plantão até agora. Sou plantonista”, disse a ex-governadora que em agosto entrou de licença prêmio e volta aos plantões em fevereiro do ano que vem. Concursada, ela tem 39 anos de serviço público estadual. 

“Eu nunca deixei de trabalhar. Sempre que meus mandatos eram encerrados eu retornava às atividades (como médica)”, ressaltou. Nos plantões no Rafael Fernandes, a ex-prefeita de Mossoró disse que trabalha com crianças com doenças infectocontagiosas, portadoras do vírus HIV, e com mães gestantes soropositivas. “É um trabalho que me fortalece bastante”, assinalou.

Quando terminou o  terceiro mandato como prefeita de Mossoró, em 2004, Rosalba Ciarlini explicou que passou dois anos dois anos seguidos trabalhando em comunidades e no serviço público de saúde em Mossoró. “Eu só tenho emprego graças ao concurso que é o da saúde e do concurso do estado”. 

Rosalba explicou que sempre esteve ligada às causas sociais. E citou que no primeiro mandato na prefeitura de Mossoró (1989-1992) aboliu, por lei, a aposentadoria para ex-prefeitos. “Nem sou aposentada no Senado. Ganho o mesmo no hospital o mesmo que os meus colegas”, disse ela que está solicitando enquadramento nos benefícios concedidos aos médicos da rede pública estadual porque, nos quatro anos como governadora do RN, não acompanhou as mudanças da carreira no período. “Dei entrada em janeiro no reenquadramento e estou aguardando para que eu possa, com o tempo que tenho, estar no nível correto, recebendo o que todos os meus colegas recebem”. 

“Aconteceu”, diz ex-prefeita  sobre entrada na política

Aos 63 anos, Rosalba Ciarlini disse que o sonho de sua vida sempre foi ser médica pediatra. A política, segundo contou, foi uma coisa que “aconteceu”. “Eu nunca me preparei para ser política, para ser candidata. Fui prefeita a primeira vez porque surgiu meu nome numa pesquisa junto aos movimentos comunitários. 

Em Mossoró, explicou a  ex-governadora, junto com uma amiga pediatra, trabalhava na pastoral da criança em uma época em que a desnutrição era um problema grave junto às populações de baixa renda. “Isso aí foi que me fez ser bastante conhecida. Um belo dia a população colocou meu nome. Fui prefeita a primeira vez, duas, três... saí com boa avaliação”, complementou a “Rosa” como é conhecida em Mossoró. 

Em 2006, Rosalba Ciarlini foi eleita a primeira mulher do RN para uma vaga no Senado. “Fiz muitos projetos e consegui ter bons resultados como a ampliação da licença maternidade”. O Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC   64/7, de autoria dela, que ampliou de 120 para 180 dias a licença maternidade. Segundo ela, “um benefício para a criança e também o reconhecimento dos agentes comunitários porque também é um trabalho fundamental para a assistência à saúde da criança”. Ela foi da comissão de assistência social do Senado e cheguei ao governo do estado, uma experiência que também contou para sua eleição ao governo do estado em 2010 para o período de 2011-2014.

Sempre muito bem avaliada como prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini não teve o mesmo desempenho quando foi governadora do Rio Grande do Norte. Deixou o governo com o mais baixo índice de avaliação entre os estados da federação.

Como governadora do DEM, nas eleições de 2014, o líder do partido no RN, senador José Agripino, lhe deu as costas. Uma decisão da executiva estadual lhe escanteou. Não lhe deu apoio para reeleição preferindo fazer aliança com o então candidato Henrique Eduardo Alves, do PMDB, que perdeu as eleições para o atual governador Robinson Faria. 

Agora, reabilitada às urnas, seu nome aparece em primeiro lugar nas pesquisas em Mossoró para voltar ao Palácio da Resistência, sede da prefeitura, diante dos baixos índices de aprovação do atual prefeito Francisco José Júnior, do PSD. 

Rosalba Ciarlini passou quase um ano em silêncio. Deu poucas entrevistas antes de ser absolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral que em outubro das acusações de crime eleitoral. 

Reabilitada pela TSE, a ex-governador não descarta ser novamente candidata a prefeita de Mossoró, e joga para o povo a responsabilidade por sua candidatura, mas não esquece a mágoa de ter seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Abaixo, ela fala do que sentiu por causa disso. Agora, de portas  abertas para uma nova eleição, ela está em situação confortável para se candidatar. 

ENTREVISTA 
NOVO - A política é definitiva na vida da senhora?
Rosalba – A política é definitiva na vida de todo cidadão.
NOVO -  Por que a senhora não quer falar de política?
Rosalba – Não é que não queira falar de política. Durante este tempo, tenho cuidado mais da família, dos netos. Agora, eu quero dizer uma coisa: todo o Rio Grande do Norte tomou conhecimento que eu fui vítima de acusações injustas, e tivemos todo um processo de julgamento que culminou agora no Tribunal Superior Eleitoral, onde foi comprovado que eu não tinha realizado nenhum ilícito eleitoral. Tanto que o resultado foi de sete a zero.
NOVO - A Senhora se acha injustiçada pela Justiça Eleitoral do RN?
Rosalba - A maior dor que um cidadão pode ter é a dor da injustiça; ela doi na alma. 
NOVO - A senhora está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos para a prefeitura de  Mossoró. A senhora vai ser candidata?
Rosalba - Olha, como eu disse: eu fui prefeita três vezes e nos três períodos eu saí com uma avaliação acima de noventa por cento, positiva. E a história mostra a transformação que foi realizada em Mossoró. Então é natural que as pessoas, Mossoró que está nesta situação de calamidade, onde há uma indignação da população comprovada nas ruas com a atual administração, então é natural que eles façam uma convocação.
NOVO - A senhora vai atender a essa convocação?
Rosalba - A hora é de conversar com o povo, com a família, ouvir os amigos, porque essa decisão será tomada principalmente, ouvindo todos os amigos e os nossos conterrâneos.  

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