DELIM GÁS

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22 de abril de 2017

Bullying afeta um em cada 10 estudantes brasileiros, alerta pesquisa

O terceiro volume do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) traz um dado alarmante: aproximadamente um em cada 10 estudantes brasileiros é vítima frequente de bullying nas escolas. São adolescentes que sofrem agressões físicas ou psicológicas, que são alvo de piadas e boatos maldosos, excluídos propositalmente pelos colegas, que não são chamados para festas ou reuniões.

A publicação é resultado de uma pesquisa aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ao todo, participaram 540 mil estudantes de 15 anos que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos de 72 países. São 35 países-membros da OCDE e 37 economias parceiras, entre elas o Brasil.

Um dos itens avaliados no relatório foi a frequência com a qual acontece o fenômeno. Em solo brasileiro, 17,5% dos adolescentes disseram sofrer alguma das formas de bullying "algumas vezes por mês", enquanto outros 9% foram classificados como vítimas frequentes de bullying. Esse último grupo está no topo de indicador de agressões e mais expostos a essa situação.

Dentre os comportamentos mais frequentes, 7,8% dos participantes afirmaram ser excluídos pelos colegas; 9,3%, serem alvo de piadas; 4,1%, serem ameaçados; 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos.

Ranking nacional


Em comparação com os demais países avaliados, o Brasil aparece com um dos menores "índices de exposição ao bullying". Em um ranking de 53 países com os dados disponíveis, o Brasil está em 43º lugar. Em média, nos países da OCDE, 18,7% dos estudantes relataram ser vítimas de algum tipo de bullying mais de uma vez por mês e 8,9% foram classificados como vítimas frequentes.

"O bullying tem sérias consequências tanto para o agressor quanto para a vítima. Tanto aqueles que praticam o bullying quanto as vítimas são mais propensos a faltar às aulas, abandonar os estudos e ter piores desempenhos acadêmicos que aqueles que não têm relações conflituosas com os colegas", diz o estudo, que acrescenta que nesses adolescentes estão também mais presentes sintomas de depressão, ansiedade, baixa autoestima e perda de interesse por qualquer atividade.

Pais e professores

O levantamento mostrou ainda que pais e professores desempenham papel-chave no bem-estar dos estudantes. Estudantes que têm pais interessados nas atividades escolares são 2,5 vezes mais propensos a estar entre as notas mais altas da escola e 1,9 vezes a estar muito satisfeitos com a vida. Com o apoio dos pais e responsáveis, os estudantes também têm duas vezes menos chance de se sentir sozinhos na escola e são 3,4 vezes menos propensos a estar insatisfeitos com a vida.

A participação dos professores é igualmente importante. Estudantes que recebem apoio e suporte dos professores em sala de aula são 1,9 vezes mais propensos a sentir que pertencem à escola do que aqueles que não têm esse apoio. Aqueles que percebem que os professores são injustos com eles têm 1,8 vezes mais chance de se sentir excluídos na escola.

Esta é a primeira vez que o Pisa divulga dados da performance dos estudantes que dizem respeito à relação deles com os professores, à vida em casa e a como gastam o tempo fora da escola.

Agência CNM, com informações da Agência Brasil

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